Pilates-ballet9

Pilates para bailarinos

 

pilates-ballet 2Muitos bailarinos conhecem a importância que Joseph Pilates, com o seu método, representou na década de 20 em Nova York, quando George Balanchine, Martha Graham e Jerome Robins indicavam seus bailarinos e frequentavam o estúdio de Joseph.

O trabalho diário de um bailarino profissional de companhia varia entre seis e oito horas diárias, podendo chegar a 10 horas de trabalho em dias de espetáculo. Bailarinos, em especial, os profissionais possuem esta carga de trabalho corporal com um constante desafio das suas habilidades e competências físicas. As repetições excessivas de movimentos causam um alto estresse e desequilíbrio músculo articular, favorecendo a uma lesão.

A sobrecarga está associada não apenas ao excesso de exercícios mas principalmente ao desequilíbrio muscular, juntamente com as frouxidões ligamentares , tão comum nos bailarinos. Por isso, estes profissionais da dança precisam trabalhar com precisão e eficiência, para não haver gasto energético desnecessário. Um trabalho físico de alta intensidade, com esforço repetitivo e de grandes amplitudes de movimento, como é o da dança, precisa ser feito com o alinhamento correto, pois falhas neste aspecto, mesmo em curto prazo, podem causar danos severos. É fundamental que os bailarinos aprendam o quanto antes a trabalhar com o acionamento muscular correto e sua consequente boa postura. Estas funções extremas podem ser simuladas e assim organizadas e bem treinadas com a ajuda do método pilates e podem ser ainda mais eficientes com a utilização de seus equipamentos.

As lesões mais comuns nos bailarinos são:

– Joelhos: as hiperextensões devido às frouxidões ligamentares, as sobrecargas nas aterrissagens dos saltos, limitações de rotação externa do quadril nos endehors, que podem causar tendinites e condromaláceas.

– Coluna: (lombalgias e cervicalgias) a maioria apresenta uma retificação torácica com hipomobilidade nesta região, sobrecarregando a cervical e lombar nos cambrés (extensão de coluna).

– Quadril: os bailarinos procuram ganhar uma mobilidade de quadril que vai além da capacidade anatômica articular, principalmente nos endehors (rotação externa). Além disso, a contenção óssea do quadril é mais frouxa em alguns bailarinos, e nesses casos o treino para ganhar mais mobilidade pode predispô-los a um quadro de instabilidade.

– Pés e tornozelos: encurtamento do tendão de Aquiles, aterrissagens mal executada nos saltos, entorses, má distribuição dos pesos nos pés, causam as famosas “joanetes” e outras complicações ligamentares.

– Cintura escapular: a maioria apresenta escápulas aladas e instabilidades articulares.

Ao contrário do que se pensa, o trabalho de ponta não depende apenas de um bom pé, mas do preparo de todo o corpo, o que significa, que se a bailarina não tiver força suficiente na musculatura do CORE (região que envolve os músculos abdominais, lombares, glúteos e pélvicos), ela não será capaz de manter o corpo equilibrado na ponta. “Não adianta o bailarino subir na ponta se quando estiver lá não for capaz de fazer nada”, George Balanchine.

Diante de tudo isso, a afinidade dos bailarinos pelo método, provavelmente deva ser porque o pilates é um sistema de baixo impacto, que trabalha o corpo simetricamente, gerando alongamento e fortalecimento. Envolve uma série de movimentos fluídos, dinâmicos e energéticos que melhoram o controle da resistência, fortalece os músculos do CORE e melhora o alongamento.

O pilates também trabalha com o ritmo da respiração tornando a mente equilibrada e melhorando a consciência corporal e concentração na dança, principalmente nos movimentos decisivos, nos quais é preciso recrutar os músculos e focar a mente para um movimento preciso. Ajuda a fortalecer, alongar e equilibrar toda a musculatura que envolve a coluna, alinhando e descomprimindo tensões na mesma. Estimula a circulação, melhora o condicionamento físico e o alinhamento postural, fundamental para que os giros aconteçam. Além do trabalho pliométrico nas pranchas de salto, trabalhando a mobilidade funcional e proprioceptiva dos bailarinos, melhorando a qualidade dos saltos.

Pilates e dança se comunicam intimamente em suas bases. Os princípios do pilates são elementos fundamentaispilates-ballet3 para a dança. Segundo o Guia da Pilates Method Alliance, princípios básicos do Pilates são: movimento do corpo todo, desenvolvimento equilibrado dos músculos, concentração, respiração, controle, centramento, precisão e ritmo. A dança necessita de todos esses elementos no seu dia a dia.

Bailarinos de todos os níveis e idades que praticam pilates se sentem melhor no seu desenvolvimento na dança, além de melhorar a sua saúde em geral. A natureza fluída do método pode ser facilmente incorporada a um regime no treinamento dos bailarinos como um conjunto de exercícios.

 

 

 

   Quem pratica recomenda

pilates-ballet8

“O Pilates contribui muito para a preparação dos bailarinos permitindo que eles se sintam mais livres para expressar a sua arte. Isso se dá não somente pela consciência corporal, mas também pelo conhecimento específico de organização do corpo no espaço”. Inês Bogéa, diretora artística da São Paulo Companhia de Dança

 

 

Pilatesballet7 “Companhias de dança muitas vezes experimentam alto custo para reabilitar seus bailarinos devido a lesões relacionadas com o esforço repetitivo, isso leva a perda de moral, diminuição do desempenho e os conflitos entre a empresa e os profissionais. Um programa integrado que consiste em terapia, pilates e comunicação foram a melhor maneira na redução do custo de operação para a empresa e uma melhoria significativa na moral, no desempenho e no bem-estar de todos. Temos sido bem sucedidos na implementação de um programa desse tipo em: NYC Ballet, Boston Ballet, Miami City Ballet, Sacramento Ballet, Alvin Ailey, Dance Theater do Harlem. Esses tipos de programas trabalham com o aspecto da prevenção e intervenção precoce. O pilates em dançarinos é capazes de minimizar o risco de lesão, realizar com maior consciência corporal e receber intervenção precoce com privacidade para o dançarino que sente que menos pressão”. Brent Anderson, PhD, PT, OCS, PMA®-CPT

President Polestar

Pilates-ballet6“Conheci o pilates quando fiz o mestrado em dança nos EUA. O método fazia parte do currículo do bacharelado e do mestrado da CAL ARTS, CA, EUA. Em pouco tempo, atingi uma qualidade na performance que não havia conseguido em muitos anos de técnicas de dança e percebi o benefício que ele teria para essa profissão; assim, decidi introduzi-lo no Brasil, apresentado-o num Congresso Nacional de Dança em 1990. Com as mudanças positivas que minha dança sofreu, muitos colegas de profissão se interessaram em conhecer o que havia me transformado em uma profissional de destaque na Cia Ballet do Teatro Castro Alves. Em seguida trouxe meu primeiro Reformer e passei a oferecer aulas para os amigos e colegas de profissão, na minha casa em janeiro de 1991. A dança é uma profissão de alto risco e alto índice de lesões e a nossa medicina ortodoxa exige repouso absoluto para a recuperação. Sabemos que em pouco tempo parado, um profissional do corpo perde muito do seu condicionamento físico e que recuperar este condicionamento exige o dobro de tempo de trabalho árduo. Por este motivo, bailarinos de todo o mundo buscam sempre métodos alternativos de tratamento e o pilates permite que mesmo com uma região do corpo lesionada, um bailarino se mantenha em atividade e também em boa forma do resto do corpo, enquanto aquela região lesionada repousa e se recupera, e assim, consegue voltar ao trabalho em menor tempo. Bailarinos que praticam pilates se machucam menos, desenvolvem mais rápida e facilmente suas competências, precisão e eficiência. Os que se machucam utilizam o pilates para se recuperarem mais rápido. O pilates oferece uma oportunidade de condicionamento físico, com uma estreita relação com a dança por conta da identidade entre as filosofias e os princípios básicos destas atividades, além de que com os equipamentos de pilates podemos simular e assim treinar muitas dos movimentos que os bailarinos executam. Esta eficiência, controle, fluência e precisão são algumas das chaves que diferenciam um bailarino amador de um profissional e é na respiração que está a fonte de energia e ao mesmo tempo a fonte de qualidade e intenção de cada movimento. Todos estes são também princípios básicos do método pilates e com ele podemos desenvolver todas estas habilidades”. Alice Becker, Presidente da Physiopilates.

 

Pilates-ballet4“O Pilates traz uma autoconsciência do próprio corpo, o qual pode chamar-se também de consciência corporal. Ou seja, busca-se o domínio e controle do corpo para a execução da dança. Ao mesmo tempo em que trabalha a musculatura profunda, deixa o bailarino mais alongado e elegante na execução dos seus passos. Para mim, como bailarino, o pilates traz mais equilíbrio, leveza, controle respiratório, fazendo com que meu corpo se ajuste com cada vez mais facilidade em movimentar-se de uma maneira precisa e perfeita em busca do meu aprimoramento. Geralmente, meu dia começa com uma aula de pilates, pois sinto uma grande necessidade em buscar uma organização corporal. Assim, fico preparado para as seis horas físicas diárias entre aula e ensaio. Sinto-me um grande privilegiado por ter profissionais de tão alta qualificação como os do Stúdio Gisele Mukai. Sou extremamente grato por este trabalho excepcional que venho fazendo com a Gisele Mukai, Jaqueline Rodanin, Giselle Catalano. Eu recomendo, pois posso dizer que o pilates me faz ter uma qualidade de vida ainda melhor”. Norton Norton Ramos Fantinel, bailarino da SP Cia de Dança

 

pilates-ballet 5 ”A presença do pilates no na minha rotina hoje é indispensável. Conheci o pilates a mais ou menos há dois anos e há um ano aproximadamente pratico quase que diariamente.  O pilates vem cada vez mais me dando uma consciência e organização corporal indispensável para o balé. É como se pudéssemos enxergar nosso corpo com os olhos voltados para dentro. Descobrimos partes e conjuntos musculares muito importantes que não conseguimos fortalecer apenas com aulas de balé, ou ensaios. Além de conseguir ajudar na prevenção de muitas lesões. Sempre me interessou muito a historia do pilates, por saber que Joseph baseou sua técnica voltada para o balé, todo os exercícios fazem muito sentido para nos bailarinos. Pois trabalhamos o fortalecimento dos músculos, exatamente da maneira como precisamos na técnica da dança. Também faz parte de organização muscular, fortalecimento e estabilização que o pilates me fornece. Existe também outro lado do pilates que me ajuda muito. Que é a parte mental e respiratória. Fazendo-me aquecer não só meu corpo mas também minha mente. Agradeço toda equipe da Gisele Mukai, que vem atendendo a nós bailarinos com muita atenção e dedicação, nos dando um suporte de total excelência. Obrigada Gisele em especial por participar dessa trajetória”. Pamela Valim, bailarina da SP Cia de Dança

piltes-bailarinos

” Comecei a praticar pilates quando tive que me recuperar de uma lesão do quadril. Sou bailarina há 18 anos e por estar sempre me exercitando, deixava o tempo vago para descansar. Como o balé leva o corpo ao limite, é necessário fortalecer os músculos para evitar lesões. O pilates ajuda muito na minha profissão porque mesmo fortalecendo outros grupos musculares, sempre estamos focados no músculo abdominal e no balé é muito importante estar com o centro bem firme. Também trabalhamos alinhados dos pés a cabeça, o que facilita muito ao iniciar o dia em uma aula de balé. Me sinto muito bem nos dias em que vou ao estúdio. Acordo mais cedo e com prazer”. Thamires Prata, bailarina da São Paulo Cia de Dança